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Agora não!

Thiago aprendeu uma nova expressão: "Agora não!" e pra ele serve pra exatamente qualquer coisa que ele não queira fazer.Muito esperto, ele aprendeu a procrastinar a tarefa desagradável por alguns minutos, ou se ele estiver com sorte, por algumas horas.

Essa semana ele parece ter dado um salto significativo na linguagem. A pronúncia das palavras está mais clara, menos tatibitati, e ele está muito mais comunicativo. Ontem quando eu cheguei do trabalho ele veio correndo me contar que tinha ficado de castigo, que foi o papai que tinha colocado ele de castigo, e o que tinha feito para ter que ficar sentado por 2 minutos numa poltrona que fica na sala. :)
Eu confesso que achei lindo ele vir correndo e contar.
Ele quis dividir o acontecimento comigo. Aquele menino que mal falava há uns meses atrás agora conta as experiências do dia para gente quando chegamos em casa.

Quanto a melhora eu acho que foi um combinado de coisas: há um amadurecimento da linguagem com novas palavras, verbos conjugados e frases com cada vez mais palavras. Mas eu acho que o nosso esforço de corrigir o tati-bitati está começando a surtir algum efeito. E acho fofo quando a gente corrige e ele repete com a boca bem aberta, sílaba por sílaba.
Ele fala "hipopóta" e eu corrijo: HI-PO-PÓ-TA-MO.

Ele ri, abre beeeeem a boca e repete: HI-PO-PÓ-TAAAAA

E eu acho lindo!
E não é pra achar lindo? ;)

Então, lembra do Thiago, aquele menino cordial que nunca reclamava de nada? Pois bem, isso tudo mudou esse ano, quando ele fez dois anos. Sempre achei graça dessa história dos “Terrible Two”, aliás, o que isso mais me lembra é do episódio da Família Dinossauro, quando eles resolvem comemorar logo o aniversário de três anos do Baby pra acabar logo com aquele comportamento (é, sou velha mesmo =P), mas nunca levei muita fé nisso. Até o meu filho fazer dois anos, é claro.

Agora, vocês lembram o Dr. Delamare? Pediatra consagrado no Brasil, ele “cuidou” mais da metade dos bebês brasileiros, direta ou indiretamente. Ele foi o precursor da pediatria no Brasil, batendo o pé que o Pediatra não era para ser apenas um médico que atende crianças, mas um especialista, com curso, registro, e tudo mais.
Eu disse que ele cuidou indiretamente de tantos bebês é porque ele foi os autores de um dos maiores best-sellers brasileiros, “A Vida do Bebê”, que fala da vida, saúde, alimentação, aspectos sociais, etc. da criança ao nascer até completar dois anos, lançado em 1941 e reeditado até hoje (a minha é de 2004 e é a 41º Ed). Na década de 70, havia dois livros: o já citado e o “A Vida de Nossos Filhos” que falava da criança dos dois até os 16 anos. Esse já não existe mais para a venda, mas que minha mãe guardou a edição que ela consultou durante os anos 70, mas que ficou esquecido na minha estante até ontem, quando eu peguei pra ler e me deparei com a descrição da criança de dois anos e meio, e vi um retrato do Thiago: mandão, possessivo, preso na negação,  fazendo mal-criação, passando de extremos em segundos, e com um sentimento de frustração muito grande.  Me interessei e comecei a ler e pesquisar um pouco mais e uma das coisas que eu percebi é que nessa fase a criança passa a ter noção das escolhas que lhe cerca, que ele não precisa fazer sempre tudo do jeito que lhe é ordenado, que ele tem voz e pode decidir por si próprio. Daí vem o problema:

Primeiro porque como ele passa a ter voz, ele passa a discordar do adulto no comando, e convenhamos, quando você está atrasada para ir pro trabalho e seu filho reclama e chora, às 06:50 da manhã porque não quer ir de tênis pra escola, mas sim com o chinelo do Homem Aranha, você realmente sente falta de um regime mais autoritário na sua casa.

Segundo, porque ele passa a ter a noção que ele não só pode, como deve opinar, e ele perde a segurança de ter alguém decidindo por ele, passa a ficar inseguro com as decisões a serem tomadas, e com isso há um cansaço mental. Como mãe leoa que eu sou, fiquei com muita pena do Thiago nesse momento.

Daí, fiquei pensando em como fazer para ajudá-lo a ter uma vida mais tranqüila, em como fazer essa transição, que segundo o Dr. Delamare não dura muito mais do que seis meses. No dia dos Pais, dei de presente pro Joao o livro “É claro que eu amo você – agora vá para o seu quarto – Educando filhos com amor e limites” da Diana Levy e  ela fala que em momentos em que a criança está frustrada, ao invés de explicações complicadas, sermões, castigos e tudo mais que nós, educadores, normalmente fazemos o mais importante é  completar o “reservatório emocional” da criança, mostre empatia à criança que a maior probabilidade é ela  passar do frustrado ao cordial.
Achei muito difícil, mas resolvi tentar. Deu certo.
E depois do incidente, quando eu abraço e da empatia, não existe uma segunda crise, mesmo que volte a ocorrer alguma coisa que o aborreça.

Portanto, pessoal, lembra daquele dia que tava uma merda e tudo que você queria era uma cerveja com os amigos para falar mal do chefe/namorado/marido/ situação financeira, mesmo sabendo que ninguém ali vai fazer nada pra resolver o problema, a não ser te escutar e, com sorte, te fazer rir do seu problema? Pois é , seu filho também precisa disso.
Incentive as boas amizades do seu pequeno, e enquanto ele não tem a maturidade para saber expor os problemas aos amigos, fique atento (a), identifique o problema e seja amigo (a) do seu pequeno. Eu acredito que dessa forma ele vai ser muito mais seguro, e conseqüentemente, mais feliz. ;)

Saindo em família

Sábado fomos levar o Thiago no Exploração Discovery Kids, que esses dias está aqui pelo RJ, adorei o passeio e acho que se o Thiago tivesse um ou dois anos a mais teria gostado muito mais, afinal é uma brincadeira educativa que explica as Regiões do Brasil.

Mas ele gostou das brincadeiras, dos personagens e no final ainda viu o Doki!
Uma brincadeira em que você "perde" no máximo meia hora. O perde veio entre aspas porque enquanto a gente fazia o tour pelas Regiões do Brasil haviam mais 10/12 crianças com a gente, cada qual acompanhada de seus pais e haviam alguns responsáveis que realmente acreditam que passar meia hora num brinquedo educativo com o seu filho, é perda de tempo.
Eu fiquei impressionada, porque ao longo do passeio, cada vez mais eles reclamavam.
Não entendo como existem pais assim no mundo. Eu, particularmente adoro cada minuto que passo com o meu filho.

Segue a foto do Thiago.

Eu ia dizer que não nasci para ser mãe, mais seria mentira. Eu era mãe antes de ter meu filho. Era mãe de sobrinho, mãe de amigos, mãe de todos.

Daí eu pensei bem e percebi que eu não nasci para deixar de ser mãe. Vou explicar: quando essas tragédias públicas acontecem, como o menino de Costa Barros ou o filho da Ciça Guimarães, a gente para para pensar na vida, para para pensar na morte e depois que eu virei mãe do Thiago essas tragédias me afetam muito mais. Eu lembro de receber a notícia da queda da Isabela com o Thiago ainda bebezinho, mamando, no meu colo, lembro da tristeza que eu senti e lembro de ter pensado que nunca poderia ter sido a madrasta, afinal ela tem filhos, e quem é mãe não ia fazer outra mãe a passar por isso. A dor de uma mãe quando deixa de ser mãe deve ser brutal.
Li uma vez uma citação de que eu não lembro o autor, em que dizia que é tão não natural uma mãe ficar sem filho que não existe nem um termo na Língua Portuguesa para isso: você perde o pai/mãe, é órfão, você perde marido/mulher, você vira viúva, quando você perde um filho, você fica perdida no mundo. Acho que é isso. Minha avó de parte paterna e minha nova avózinha de parte do marido, perderam filhos. Há anos. Nunca superaram, nunca recuperaram a alegria de antes, eu sempre aceitei isso, mas só tive dimensão da dor delas, depois que o meu Thiago nasceu.
Se quando o Thiago se machuca, a minha dor existe, imagina num caso de atropelamento? Não é só perder o filho, é a maneira que você perdeu.
Perder um filho com uma doença grave, gera uma dor, gera uma revolta, em alguns casos.
Perder um filho por culpa dele, gera a mesma dor, e uma tristeza, um complexo de culpa.
Agora perder um filho porque um rapaz irresponsável fez uma bandalha no trânsito, e aqui nem vou entrar no mérito se ele estava ou não batendo um pega, como a imprensa falou, mas só me refiro ao fato dele ter feito um retorno proibido no meio do túnel e ter voltado pela galeria fechada, não ter parado para prestar socorro e ter ido embora para casa como se nada tivesse acontecido, gera a mesma dor da perda, mas uma revolta muito maior, deve ter uma raiva pronta para explodir, mas que de nada adianta, nada vai trazer o Rafael de volta.

Um rapaz que dirige há 7 anos, mora na Barra e frequenta a noite da Zona Sul, SABE que aquele retorno é proibido, apenas para emergências e carros oficiais. Fingir desconhecer a lei não é desculpa. Me irrita. O pai ter mandando o menino ir para casa, sem enfrentar as consequências do que fez, me irrita. É nossa obrigação como pais educar bem, e faz parte da educação ensinar aos nossos filhos a enfrentar as consequências dos seus atos e isso começa de pequeno. Por mais que tenham horas que a vontade é de passar a mão na cabeça, a nossa obrigação é mostrar onde errou, ensinar a reparar os danos e deixar claro que alguns erros não tem compensação nessa vida.
E torcer para dar certo.

Que a dor de quem perde seus filhos seja diminuída pelo tempo e que seus corações fiquem em paz.

Um cara família

Uma das coisas que me encantou no Joao, foi o fato dele ser um cara família. Ele gosta de estar em família, seja na dele ou na minha. Pra mim, um fator determinante para um relacionamento durador, já que eu sou uma pessoa extremamente ligada a minha família e que tinha que arrumar um companheiro que se desse bem com a minha família tipicamente italiana: entrona e barulhenta.
Outra coisa boa nessa faceta do maridão é que isso o torna um pai melhor.
Ele não é um pai de fachada. Ele participa. De corpo e alma.
E eu acredito que isso venha do lado família dele. Para ele é tão importante o Thiago se sentir bem em família para que possa ter ao crescer o mesmo comportamento que nós.
E aí entra o fato que me estarrece. Eu sempre acreditei que ser família ou não era um fator tipicamente de criação. A gente aprende com os nossos pais como trata-los observando a maneira com que eles tratam os seus pais.
Então como é que pode numa mesma famíla, primos e irmãos serem tão diferentes???!!!

Eu fico grata em saber que o meu marido pensa e age como eu. Ele age assim com o filho, com a mãe, com a avó e agiu assim com o pai também.
Thiago terá bons exemplos. :)

Eles crescem…

O tempo voa mesmo. Outro dia ele nasceu e naquela noite, enquanto o Joao dormia solenemente, eu me emocionava em trocar a primeira fralda do meu filho, de madrugada, no escuro, naquele hospital.
Já se passaram dois anos e quatro meses e embora a gente ainda o veja como um bebê, ele cada dia dá mais sinais de que a relaidade não é bem assim, a toda hora, a todo minuto ele arruma uma maneira de mostrar, como se quisesse gritar: "EU CRESCI".

Sexta-feira começou normal, mas quando ele levantou da cama foi direto pro banheiro, tentando tirar a fralda ainda seca, para fazer o seu xixi matinal.
Foi o primeiro sinal.
Depois, na escola, a professora me disse que nem na hora do cochilo ele dorme mais de fraldas. Nesse momento, nesse exato momento, eu comecei a me dar conta que talvez, TALVEZ, ele estivesse mesmo deixando de ser meu bebezão.
Sábado e domingo foi, para mim, um final de semana de experiências incríveis, afinal ele passou o final de semana todo de cuecas e apenas um acidente, mais por culpa minha, que como estava com visitas perdi o controle da hora, do que dele.

Então, aquele bebezinho que eu trocava fraldas agora usa cuecas, reconhece as letras do alfabeto, vai pra cama sozinho na hora de dormir, e ainda aplicou a palavra "igual"corretamente. Preciso me acostumar que não existe mais um bebê na minha casa e sim um menino esperto, educado e muito levado. :)

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